quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

“Baú de Histórias” oferece aprendizado contínuo e experiência única a profissionais do teatro

Atores da Trupe Sentidos na estreia do espetáculo "Baú de Histórias"


Com a estreia do espetáculo “Baú de histórias”, no último dia 3, o grupo de teatro “Trupe Sentidos” fez sua primeira apresentação aberta ao público. A próxima apresentação já está confirmada para a próxima segunda-feira, 12, às 19h, no Instituto São José. 
O projeto, que nasceu das oficinas da Associação de Apoio ao Deficiente Auditivo (AADA), tem como principais objetivos enriquecer o desenvolvimento corporal, sensorial e espacial do indivíduo surdo e desenvolver uma proposta de teatro inclusivo que, além de surdos, envolva a participação de atores ouvintes.
O BlogAADA tem acompanhado as noticias da trupe dos sentidos através da publicação de algumas matérias  (“Trupe Sentidos” lança proposta de teatro inclusivo no Vale do Paraíba; Ator de "Baú de Histórias", Diego Bernardo fala da magia do teatro). Nesta semana, você confere depoimentos da equipe técnica da Trupe. Silvia M. Soares, Carol Toledo e Osni Antonio Henrique, responsáveis pela concepção artística e preparação de elenco, contam sobre o processo criativo, as rotinas dos ensaios, a experiência de trabalhar com deficientes auditivos, entre outras impressões desse trabalho de estreia do grupo.
Experiência de aprendizado constante
No “Baú de historias”, Silvia Soares interpreta a palhaça “Risadinha”, uma das crianças que resolve brincar e encontra o livro de histórias. A pedagoga, que desenvolve oficinas de aprendizagem e de teatro na AADA, também é responsável, junto com a filha e voluntária Carol Toledo, pela concepção e montagem desta peça.
 Carol Toledo e Silvia Soares, interpretando às palhaças Simpatia e Risadinha

A educadora conta que “o trabalho de criação tem sido muito produtivo, pois os adolescentes que atuam no espetáculo se envolveram desde o início, participando e opinando em todo o processo. Sempre tenho a consciência de que apenas compartilhamos conhecimentos e que cada um tem algo para complementá-los”.
Sua filha, a atriz Carol Toledo, quem também atua como palhacinha na obra, explica que houve oficinas de teatro semanalmente, nas quais foram abordadas aulas de expressão corporal através de vibração da música assim como exercícios físicos para ‘acordar’ o corpo. “Também aconteceram ensaios aos sábados, em palcos maiores, para melhor adaptabilidade dos locais possíveis para apresentação”.
A jovem acrescenta que a interação do grupo é muito grande e que durante os ensaios o clima tem sido de aprendizado constante, além de muita risada e até “puxão de orelha”, de vez em quando... “Eles ensinam demais! Aprender LIBRAS é simples consequência de tudo o que eles demonstram. São flexíveis, felizes, dispostos, criativos, inteligentes, ótimos atores!”
O ator, professor de teatro e diretor de espetáculos Osni Antônio Henrique foi convidado para ajudar na preparação do elenco, também com foco na expressão corporal. “O trabalho chega a ser algo complexo porque nem todos têm a mesma condição física, o que dificulta fazer alguns exercícios. Estou despertando seus músculos para que consigam desenvolver mais ainda as cenas e não se cansarem tanto e perderem o foco no personagem. Nos ensaios, trabalho muito o alongamento e os exercícios bem leves, em dependência do limite de cada um”, diz o Osni quem também salienta que a montagem desta obra não exigiu tanta prontidão física, mas a próxima, que já estão planejando, vai ser mais intensa.
O professor Osni e os atores da Trupe Sentidos durante uma oficina de teatro na AADA




O professor e os atores da Trupe Sentidos durante uma oficina de teatro na AADA
Em 2017, comenta, “vamos fazer um trabalho mais complexo, inclusive convidamos outro profissional para participar; ele é mais qualificado do que eu no tema da expressão corporal e também vamos fazer uma seleção de mais alguns atores”.
Embora “Baú de histórias” seja o espetáculo de encerramento das atividades da instituição neste ano, as perspectivas são que a partir de 2017 o grupo se torne independente, com apoio da AADA, e passe a contar com profissionais do teatro na região. A ideia, de acordo com os entrevistados, é que o projeto amadureça e cresça cada vez mais e sejam criados espetáculos que possam circular em outras cidades e estados e estabelecer uma companhia profissional, ou seja, que tenha pessoas capazes de ganhar dinheiro com a arte. 

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