domingo, 5 de agosto de 2018

O que está rolando


Por dentro da AADA em um único post


Com certeza você já deve ter ouvido falar da gente. Afinal, são 29 anos dedicados à promoção da cultura surda, ao desenvolvimento das habilidades comunicativas do surdo e a ações que promovam sua inclusão e atuação na sociedade. Como a gente faz isso? Conheça alguns de nossos projetos:

Atualmente a AADA desenvolve o Programa Social, que atende a 65 famílias de São José dos Campos, com o apoio da prefeitura local. O foco é o desenvolvimento da comunicação e fortalecimento de vínculos entre os surdos, pessoas com deficiência auditiva, seus familiares e comunidade.



Também temos o Programa de Cursos, que leva informações importantíssimas sobre a surdez à comunidade em geral e promove o ensino da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) favorecendo espaços de comunicação para o surdo.



Outra conquista da AADA é o Programa Espaço Auditivo, onde são realizados atendimentos em avaliação auditiva e terapias especializadas a custos acessíveis a toda população.

Se você gostaria de nos ajudar, mas ainda não sabe como, fique por dentro do Programa VV – Valorizando o Voluntário, nas redes sociais, principalmente pela página daAADA no Facebook. A iniciativa visa despertar as pessoas para a importância de ser um voluntário.



Campanhas de sensibilização e doação, além de eventos, como jantares e atividades artísticas e culturais também são ótimas vitrines para conhecer o trabalho realizado pela AADA e os frutos produzidos pela comunidade surda. 

Exemplo disso é a Trupe Sentidos, grupo de teatro parceiro da AADA, que tem espalhado arte, LIBRAS, inclusão e muita diversão por aí (confira matéria feita pelo BlogAADA).



Todas essas ações geram sustentabilidade à entidade e promovem maior interação entre surdos, pessoas com deficiência e ouvintes. Muito legal, não é mesmo?!?

Start up promove evento de acessibilidade na internet


A start up HandTalk, do simpático intérprete de LIBRAS “Hugo”, vai promover o evento “Link: Summit de Acessibilidade Digital 2018” no próximo dia 8. Especialistas no assunto e representantes de grandes empresas e marcas vão debater sobre: ferramentas de tecnologia assistiva inovadoras do Brasil e do mundo; práticas de acessibilidade digital; cases de sucesso nas empresas; leis, normas e requisições relacionadas à acessibilidade em diferentes setores; além de histórias inspiradoras de pessoas com deficiência.

O Link será transmitido ao vivo e contará com diversas ferramentas de acessibilidade, como tradução em LIBRAS e legendas simultâneas. São aguardados mais de 5 mil participantes online. Informações sobre a programação e inscrições (gratuitas): www.handtalk.me/link.


O tema é muito importante já que cerca de 45 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência no País, mas apenas 2% dos sites registrados por aqui estão acessíveis, segundo o IBGE e levantamento feito pela organização do Link. Desde 2016, a Lei Brasileira de Inclusão determina a obrigatoriedade de sites acessíveis para todos os públicos, por parte de entidades governamentais e empresas privadas, mas ¼ da população brasileira ainda enfrenta dificuldades para navegar pela internet.


Participe!


Texto em LIBRAS: Diego Bernardo

quarta-feira, 23 de maio de 2018

AADA, 29 anos!


Mês de maio é tempo de festa na AADA. No dia 24, o ponto de encontro da comunidade surda de São José dos Campos completa 29 anos de fundação, com corações e mentes voltados à promoção da cultura surda e à inclusão social. 


Guilherme Pacheco
Durante a semana, nas oficinas de convivência do Programa Social, crianças e jovens celebraram a data com direito a cupcakes confeccionados por eles próprios e Parabéns pra AADA em LIBRAS.







E não para por aí: no próximo sábado acontece o 2º Baile de aniversário da AADA, onde você é nosso convidado especial (informações na divulgação em anexo); e no dia 29, daremos boas-vindas às festas juninas, com muitas brincadeiras e gostosuras. Tem muita festa pela frente! E a AADA merece, você que faz parte desta história merece! Afinal, são 29 anos fazendo a diferença na comunidade surda de São José dos Campos!



segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Dia Azul - contagem regressiva

São José celebra o Dia do Surdo com programação inclusiva

Evento promovido pela AADA chega a 4ª edição e terá entrada franca




O Parque Vicentina Aranha, em São José dos Campos, será palco das comemorações do Dia Azul, no dia 24 de setembro. A data é alusiva ao Dia do Surdo, 26 de setembro, e a programação do evento leva a assinatura da Associação de Apoio ao Deficiente Auditivo (AADA), que há 28 anos é tida como referência no atendimento multidisciplinar da pessoa surda no Vale do Paraíba.
O objetivo principal do Dia Azul é difundir as ações da comunidade surda e promover integração entre a comunidade surda e ouvinte, favorecendo o conhecimento e conscientização a respeito da surdez. A ação, que está em sua 4ª edição, também visa divulgar as atividades e serviços à disposição da pessoa surda nos espaços públicos da cidade.
O Dia Azul contará com intervenções e apresentações artísticas em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), exposição de programas e projetos da AADA, oficinas, informações sobre a surdez e diferentes graus de perda  auditiva. Interessados ainda poderão interagir com a comunidade surda, intérpretes e demais profissionais que atuam neste universo. A entrada é franca.

"Dia Azul"

Quando: domingo, 24 de setembro, das 9h às 13h;
Local: Em frente a entrada do Parque Vicentina Aranha
Rua Engenheiro Prudente Meireles de Moraes, 302. Vila Adyana.



PROGRAMAÇÃO:

Contação de histórias e teatro fazem parte da programação
 9h às 13h:
·       Orientações sobre a surdez;
·       Informações sobre a AADA (Associação de Apoio ao Deficiente Auditivo);
·        Informações sobre cursos de LIBRAS;
·        Repertório básico  de comunicação em LIBRAS, com o Dr. Leco;
·        Esclarecimentos jurídicos sobre benefícios;
·        "Batismo em LIBRAS" - interessados poderão aprender seu nome em LIBRAS e ganhar seu próprio sinal da comunidade surda.

- 9h30:
. Apresentação do teatro “Cachinhos Dourados” - Trupe Sentidos. Sinopse: espetáculo em LIBRAS que faz um passeio pelo universo da fantasia e nos mostra a curiosidade de uma menina travessa, uma família de ursos muito atrapalhada e diversas situações curiosas com muito humor e energia. Duração: 30min – Para todas as idades.

- 10h:
. Contação de história em LIBRAS ”A semente da verdade” - Trupe Sentidos. Sinopse: Um garoto chinês chamado morava com seu avô e adorava trabalhar com a terra, plantar, colher, cuidar. Um dia ele se deparou com um grande desafio que o ensinou sobre a importância da coragem e da honestidade.

Mais informações: (12) 39434729.


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Queremos uma melhor qualidade na educação para surdos


A Dra. Marianne Rossi Stumpf conversando com a equipe do BlogAADA

Marianne Rossi Stumpf nasceu surda no seio de uma família de ouvintes. Sua mãe, que foi professora de deficientes auditivos, sabia que era muito importante que a criança aprendesse a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e acompanhou desde cedo a educação da filha. Antes dos oito anos a Marianne já tinha conhecimentos da língua, mas foi a partir dessa idade que começou a estudá-la mais a fundo e, com o decorrer do tempo, também aprendeu português.

Acredita que graças à ajuda da sua mãe, e também por muito lutar, conseguiu se formar em Tecnologia da Informática na Universidade Luterana do Brasil (2000) e fazer doutorado em Informática na Educação, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2005).

“Às vezes as famílias têm o conceito de que o surdo tem que fazer implante coclear e usar aparelho para poder ouvir e falar, então nesses casos a própria família não o aceita e não reconhece a LIBRAS como identidade dele”, enfatizou à equipe do BlogAADA, momento antes de apresentar com a ajuda de duas intérpretes a palestra Políticas Linguísticas: inclusão dos surdos na Universidade, no 3º Congresso Nacional sobre Surdez.

INCLUSÃO NÃO É SÓ COLOCAR INTÉRPRETES NAS ESCOLAS
Durante sua apresentação a professora Stumpf refletiu sobre varias questões que dificultam o acesso dos surdos às universidades públicas. Para ela, embora nos últimos anos houve avanços no plano jurídico que não existiam na época em que se formou, ainda existem inúmeras dificuldades que atrapalham o ingresso nas faculdades e que também interferem na qualidade do ensino nos diferentes níveis.

Uma dessas problemáticas é a ausência de cursos de graduação em Letras LIBRAS na maioria das universidades federais do país, embora a disponibilização deles esteja prevista pelo decreto Lei 5.626, sancionado em dezembro de 2005.

Segundo a medida, “a formação de docentes para o ensino de Libras nas séries finais do ensino fundamental, no ensino médio e na educação superior deve ser realizada em nível superior, em curso de graduação de licenciatura plena em Letras: Libras ou em Letras: Libras/Língua Portuguesa como segunda língua”. No entanto, na pratica muitos dos professores que lecionam aulas de LIBRAS na educação básica não têm graduação na modalidade.

Nesse sentido a palestrante acrescentou: o governo acha que inclusão é só colocar um interprete, mas não é bem assim. Não podemos nos contentar só com intérpretes, temos que ir além.

“Em 2006 foi implementado o curso de Letras Libras na Universidade Federal de Santa Catarina. Foi muito importante, eu me sinto muito orgulhosa porque isso aconteceu. Foram criados outros em alguns estados, mas são poucos. Aqui em São Paulo,  por exemplo, não tem o curso de Letras LIBRAS só tem a formação de interpretes”.

A escola bilíngue é outra das dificuldades salientadas por Strumpf. Nesse sentido referiu-se ao Plano Nacional de Educação 2014-2024, o qual prevê, entre outras disposições, o asseguramento da educação bilíngue para crianças surdas. “Realmente é um plano muito importante, mas o governo e o Ministério de Educação simplesmente guardaram esse documento e o ignoraram. É preciso exigir que esse plano realmente entre em vigor e não caia no esquecimento como está acontecendo até hoje”.

“Sabemos que existe uma grande discussão no tocante à linguística, no Brasil o Português é obrigatório, para fazer documentos, na justiça, tudo é em Português, a LIBRAS acaba ficando como algo inferior, mas também existem muitos outros idiomas no país que acabam sofrendo. Então é importante nós olharmos também para as línguas menores. O Português não pode ser um fator de exclusão”.

Outro dos pontos mencionados pela professora foi a necessidade de disponibilizar as provas, tanto de vestibulares como de concursos, em formatos acessíveis para os surdos, ou seja, em LIBRAS, embora ela saiba que são muito trabalhosas de realizar.

Durante muitos anos esse tem sido uma reclamação da comunidade surda, pois os estudantes têm dificuldade para se preparar e resolver provas como o ENEM, devido a que os exames estão em português e a leitura para pessoas que não têm uma boa formação nessa língua se dificulta. Em anos anteriores vários estudantes também declararam que a tradução feita pelos intérpretes não era suficiente.

Para o ENEM 2017 os estudantes surdos vão ter pela primeira vez acesso a vídeo com as questões traduzidas na LIBRAS.  A professora Stumpf aplaudiu a iniciativa e salientou que está torcendo para que o experimento tenha sucesso.

Quase no final da apresentação, a palestrante reconheceu que nos últimos anos houve um ganho em algumas questões da interpretação/tradução, mas que essas “conquistas” não são suficientes. Não se pode descansar, é preciso lutar cada dia por uma melhor qualidade na educação para os surdos.